Guerra de ‘maquininhas’ de cartões provoca falta de terminais no mercado

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A ofensiva de grandes bancos e o ingresso de novos players no mercado de captação de pagamentos impulsionam o segmento e aquece a concorrência, mas têm gerado escassez do seu principal motor: as maquininhas. O boom na demanda exigiu reforço na produção e ainda assim alguns empreendedores tiveram de esperar pelo seu terminal (POS, na sigla em inglês). Com mais de 4 milhões de maquininhas, segundo o Banco Central, o Brasil chama a atenção de mais fabricantes, principalmente as chinesas.

Por ora, atuam aqui somente cinco indústrias do gênero. Além da gigante chinesa Pax, que desembarcou no País em 2010, estão ainda a francesa Ingenico, a americana Verifone e as brasileiras Gertec e Perto.

Uma das empresas que enfrentou um boom de pedidos foi a Pax, que produz para companhias como Cielo e PagSeguro. Para dar conta do recado, a companhia ampliou a quantidade de turnos de trabalho. Sem detalhar o investimento, o presidente da empresa no Brasil, Thiago Cabral, conta que a chinesa teve de aumentar o seu maquinário e contratar serviços de terceiros, o que permitiu à empresa produzir o que levaria seis meses em menos de três meses.

“Tivemos um incremento absurdo de pedidos do dia para a noite com a atuação de grandes bancos como Bradesco e Banco do Brasil, que têm força de distribuição”, diz Cabral. Segundo o executivo, o total de terminais que sai da fábrica de Manaus este ano já é 60% superior ao volume do ano passado.

Detalhe de senhora passando seu cartão de crédito na Loja Boticário. Cenas de compras de natal pelos corredores e lojas do Shopping Center Norte. FOTO TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO

Na americana Verifone, que tem fábrica em Sorocaba (SP), a produção neste ano será 20% maior que a de 2017, segundo o diretor geral Brasil da empresa, Eduardo Quevedo. O aumento, explica, vem a reboque do maior uso de cartões de débito e crédito no País.

Segundo o diretor executivo da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), Ricardo Vieira, contribuem para o avanço do parque de POS no País os novos nichos, a substituição de terminais e uma melhora, ainda que frustrada, da economia brasileira. “É uma curva constante de crescimento. A competição no mercado de meios pagamento está cada vez maior no Brasil. Há oito anos, duas credenciadoras respondiam por mais 90% do mercado. Hoje, essa fatia é de cerca de 73%.”

Hoje, há 16 adquirentes com registro junto ao Banco Central. Se consideradas as subadquirentes, que operam “plugadas” nas adquirentes, o número de players no Brasil, conforme Vieira, da Abecs, sobe para 200.

Mudança

O analista do setor financeiro do Brasil Plural, Eduardo Nishio, avalia que o choque de demanda ocorreu em meio à conversão das adquirentes para a estratégia adotada pela PagSeguro, do Uol, de venda e não apenas aluguel de maquininhas.

Foram nesta direção a Cielo, por meio da aquisição da Stelo; Itaú Unibanco, com a família Credicard/Pop; e o gaúcho Banrisul. Na mira desses pesos pesados, estão profissionais autônomos e os MEIs (Microempreendedor Individual), que até então vinham sendo assediados livremente pela PagSeguro. “Todo mundo adotou a mesma estratégia em um mesmo momento”, destaca Nishio.

Na mira das fabricantes de maquininhas está um mercado potencial de 20 milhões de compradores nos próximos cinco anos, conforme estudos de empresas do setor.

Do lado dos grandes bancos, o ataque de Bradesco e BB com maquininhas revestidas com as suas próprias marcas também contribuiu para aumentar a demanda por terminais junto aos fabricantes. Além deles, a Caixa Econômica Federal também negocia, conforme fontes, um acordo com a Cielo para ofertar maquininhas customizadas.

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