São Luís, economia criativa, turismo e crescimento econômico e social inclusivos

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Autor: Manoel Rubim da Silva. Contador. Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, Professor no DECCA-UFMA. Endereço do Currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4463346A9

Há, aproximados, vinte anos, escrevi e publiquei, no jornal “O Estado do Maranhão”, um artigo intitulado a “Economia Criativa”, no qual abordei assuntos pertinentes à possibilidade de que viéssemos aproveitar, no Maranhão, a potencialidade da nossa riquíssima cultura, em prol do crescimento da renda do nosso povo.

Naquela oportunidade, destaquei que a Economia Criativa era um dos setores econômicos que mais agregava riquezas às sociedades. Afinal, estamos, desde algumas décadas, em pleno reino da sociedade do conhecimento, já se tendo vencido as etapas primárias e secundárias, encontrando-nos, na época, em que o setor terciário, especialmente os talentos humanos ganham espaços fluorescentes.

Os tempos passaram, neste Estado, projetos e projetos, há décadas, foram encomendados a consultores nacionais e internacionais, tidos como especialistas, que por aqui aportaram, acreditando que foram, regiamente, pagos. Ademais, promessas e promessas de reconstrução do nosso “Centro Histórico”, financiados por BNDES etc., foram anunciados, na imprensa local, pelos então governantes. Porém, nada de concreto e sustentável percebemos.

Por outro lado, São Luís foi laureada com o pomposo e merecido título de “Patrimônio Mundial da Humanidade”, concedido, em 6 de dezembro de 1997, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura (UNESCO); o “Tambor de Crioula” – “minha terra tem tambor de Crioula que a tua não tem”, para lembrar a música de Antônio Vieira” – foi Inscrito no Livro das Formas de Expressão, em 2007, pelo Instituto Histórico e Artístico Nacional, IPHAN; da mesma forma, o nosso  “Bumba-Meu-Boi”, intitulado  “Complexo Cultural do Bumba meu boi do Maranhão”, foi inserido, pelo IPHAN, no livro de Registro de Celebrações, em 2011. Por consequência, ambas as manifestações culturais, entre as mais arraigadas no nosso Estado, foram reconhecidas como Patrimônios Imateriais Culturais do Brasil. Portanto, não tenho dúvidas de que, no futuro, outras manifestações culturais deste Estado, “Berço de Cultura”, terão os mesmos reconhecimentos.

 

Ademais, em 2009, São Luís foi eleita “Capital Brasileira da Cultura”, figurando, então, como a única capital de Estado, no Brasil, a ostentar esse título, concedido pela ONG “Capital Brasileira da Cultura”, sediada em São Paulo,  que tem a finalidade de preservar, valorizar e promover as cidades culturais deste país, observando-se que a referida ONG é, de certa forma, uma projeção da ONG Capital Americana da Cultura, que conta com o apoio da Organização dos Estados Americanos (OEA), dos Parlamentos Latino Americano e Europeu e da Rede Europeia de Capitais Culturais, sendo relevante destacar, também, a sustentação técnica do Discovery Channel  e Antena 3 – TV Internacional, canais internacionais de televisões oficiais,  integrantes da estrutura da Rede Mundial das Capitais Culturais.

 

Observe-se que a primeira “Capital Cultural do Mundo” foi Atenas, em 1986, graças aos esforços da famosa e saudosa atriz ateniense, Melina Amalia Mercouri, que integrou o Parlamento Helênico, e galgou o cargo de Ministra da Cultura da Grécia, como primeira mulher a assumir o referido Ministério no seu país, tendo idealizado a ONG – Capital Europeia da Cultura, cujas projeções espalharam-se pelo Mundo.

 

São Luís, tida no passado como Atenas Brasileira, além de ter conquistado o título de Capital Brasileira da Cultura, foi laureada, em 2012, com o relevante título de “Capital Americana da Cultura”, concedido pela “ONG Capital Americana da Cultura”. A propósito, defendi que São Luís postulasse o título de “Capital Brasileira da Cultura”, em artigo publicado no “Jornal Pequeno”, em data de 18 de fevereiro de 2008, intitulado “SÃO LUÍS: CAPITAL BRASILEIRA DA CULTURA”, no ano anterior à concessão da láurea. Além do mais, posteriormente, defendi, em artigo publicado no JP, que fosse reivindicado, também, o título de “CAPITAL AMERICANA DA CULTURA”.

 

Como uma “senhora elegante e cobiçada, em que pese quatrocentona –  portadora de alguns problemas que lhe atingem a medula óssea” – os galanteios dirigidos a São Luís não param. Entre diversos galanteadores, temos as Grandes Escolas de Samba, como Salgueiro, Mangueira, Beija-Flor e Tatuapé, que, com arte e maestria, homenagearam a “Cidade do Amor, da Poesia e das Pedras de Cantaria” com belíssimos enredos alusivos à cultura de São Luís, vale dizer, do nosso Estado. Obviamente, o termo cultura é aqui utilizado, conforme conceitos antropológicos, que aprendi em sala de aula, com o professor de Antropologia, na UFMA, acredito que já aposentado, Arno Kreutz, quando, nos idos de 1976 e 1977, lá cursava as cadeiras do curso básico de Ciências Contábeis.

 

Diante de tantos reconhecimentos, surge a pergunta fundamental: o que temos a fazer, para que São Luís venha a tirar proveito econômico e social das suas potencialidades culturais, em prol do crescimento da riqueza dos ludovicences, dos maranhenses, de um modo geral, em suma, dos que vivem neste Estado?

 

Endossar os comentários raivosos sobre as mazelas da nossa cidade, do nosso Estado, a olhos de ver, há décadas, e a olhos de não ver, obstaculizados por diversas razões espúrias, como sobejam nas Redes Sociais, pois alguns somente pensam nos seus interesses privados, em detrimento dos interesses públicos?

 

Antepondo-me a tais bizarras posturas, tenho, ao longo de muito tempo, preferido outros caminhos, na tentativa de contribuir para o alargamento das soluções dos problemas da nossa cidade e do nosso Estado, invertendo a supremacia do privado sobre o público, ao contrário do que testemunhamos, sempre, acontecer.

 

A meu sentir, não serão com iniciativas pontuais, porém, sim, bem mais abrangentes, que poderemos tirar proveito do nosso reconhecido potencial cultural, através da exploração dos cânones da chamada “Economia Criativa”. Esforços conjuntos, frutos de um planejamento estratégico, entre organismos governamentais locais (estaduais e municipais), e federais, envolvendo a iniciativa privada, poderão resultar em grandes avanços, a médio prazo, pois não deveremos esperar resultados significativos em poucos anos, como almejam os apressadinhos, sem noção do que significa administração, muito menos administração pública.

 

Não se deve perder de vista que iniciativas como incentivos fiscais, devidamente pensados, estimados e controlados, com renovações submetidas a rigorosas medições, serão importantes para essa alavancagem. Por outro lado, financiamentos de órgãos governamentais, como o PAC das Cidades Históricas (atualmente combalido pela crise arquitetada pelos golpistas), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, e até mesmo de organismos de fomento internacional, como BIRD, não devem ser descartados. Afinal, a capital do nosso Estado, São Luís, ostenta títulos nacionais e internacionais, que devem ser levados em consideração nas análises dessas postulações, desde que devidamente planejadas e controladas.

 

Alguns detalhes, digamos, operacionais dessas propostas já destaquei em artigos que publiquei na imprensa local, como exemplo, entre diversos, “Revitalizando o Centro Histórico”, constante do livro Crônicas para Cândida: Paisagens Sociais e Culturais – São Luís Capital Brasileira da Cultura, lançado em setembro de 2009. Em outras oportunidades, aqui estarei para reavivar tais ideias de um simples sonhador, que tem anelos de ver a sua cidade natal, no seu merecido lugar, no cenário turístico deste país. Lembrando, finalmente, que: Turismo tem tudo a ver com cultura, tem tudo a ver com São Luís, tem tudo a ver com o Maranhão, tem tudo a ver com Economia Criativa, tem tudo a ver com crescimentos econômicos e sociais inclusivos.

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